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A Black Friday à beira do buraco negro

Mais de 18 meses após o início da pandemia, a interrupção das cadeias de suprimentos globais chegou a um ponto crítico, que está provocando escassez generalizada de produtos de consumo e tornando os envios de mercadorias muito mais caros para as empresas. O buraco negro que está engolindo os embarques globais está sendo chamado de “Containergedon”.

O acúmulo de pedidos na Ásia já é enorme, e há gargalos de transporte que lembram o infame bloqueio do Canal de Suez em março desse ano. A Maersk, uma das maiores operadoras portuárias do mundo, alertou no início de setembro que a única maneira de aliviar a crise da cadeia de abastecimento seria diminuir a demanda do consumidor. Mas é justamente o contrário que está acontecendo com o aumento do consumo causado pela reabertura do comércio em várias partes do mundo e a proximidade de datas importantes para o varejo, como a Black Friday e o Natal.

O surgimento de novos problemas mundiais, como o crescimento de contágios pela variante Delta em países como Vietnã e Indonésia, além da crise no fornecimento de energia na China, pioram ainda mais essa crise. Alguns atrasos nas cargas, por exemplo, foram causados pois terminais em grandes portos na China são fechados sempre que um trabalhador é detectado com COVID-19. Para reduzir o impacto do “Containergedon”, a China está fabricando volumes recordes de contêineres para empresas de transporte que lutam para acompanhar a demanda global por produtos básicos. A produção em três associações comerciais chinesas, que juntas representam quase 80% dos contêineres do mundo, aumentou dois terços em relação a 2020.

Especialistas afirmam que as cargas dos navios dificilmente chegarão às prateleiras a tempo para o início da Black Friday em 26 de novembro e nem para a temporada de compras natalinas, que é o período quando os varejistas obtêm mais de um terço de seus lucros. Nos Estados Unidos, a gigante varejista Walmart, assim como Target, Home Depot e Costco, estão fretando seus próprios navios de carga em um esforço para vencer as interrupções da cadeia de abastecimento global, que ameaçam minguar o principal feriado do varejo mundial. Empresas como Adidas e Crocs já estão alertando sobre potenciais interrupções de fornecimento no mundo.

A Hasbro, por exemplo, está aumentando os preços para compensar o aumento dos custos de frete. A empresa projeta que suas despesas com frete marítimo serão em média quatro vezes maiores neste ano do que no ano passado. Além de brinquedos, roupas e eletrônicos também serão mais difíceis de encontrar neste ano, pois sofrerão atrasos significativos em suas cadeias de suprimentos. A recomendação de especialistas é que os consumidores antecipem as compras desses itens para agora para que não serem afetados nas festas de fim de ano. A previsão é que os EUA não verão uma cadeia de suprimentos normalizada até 2023.

A atual crise na logística pode desencadear o início de uma reorganização maior do comércio global, fortalecendo outra megatendência – o ambientalismo. As empresas estão cada vez mais comercializando seus produtos com base em sua pegada de carbono e no impacto ambiental mais amplo. As cadeias de suprimentos locais ajudarão as empresas a cumprir essas metas e, ao mesmo tempo, sair dos problemas que atualmente afetam o comércio mundial. Globalmente, apenas 24% dos consumidores afirmam que não se influenciam por marcas que não cuidam do meio-ambiente.

Todos esses desdobramentos mundiais também impactarão a Black Friday no Brasil e se estenderão até o Natal. Fabricantes e varejistas estão lutando arduamente para manter suas margens sem elevar os preços a níveis impraticáveis ao consumidor, ainda mais prejudicados pelo câmbio elevado. Poucas indústrias nacionais estão preparadas para suprir a alta da demanda local. O fato é que o buraco negro vai dragar toda atratividade das ofertas da Black Friday brasileira em 2021.

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Fontes: Retail Insight Network, CNN Business e Reuters

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