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O próximo estrondo do MagaLu

“Se uma árvore cai na floresta e ninguém está perto para ouvir, será que faz um som?” – o pensamento do filósofo irlandês George Berkeley, feito originalmente no Tratado sobre os Princípios do Conhecimento Humano no ano de 1710, faz parte da teoria do imaterialismo ou idealismo subjetivo. Segundo ele, se não tem ninguém na floresta para ouvir, em teoria, não existiu o grande estrondo causado pela queda da árvore.

Mas no mundo dos negócios, todos os movimentos causam grandes ruídos no mercado, mesmo que a floresta esteja distante. “KABUM!” foi o som estrondoso causado pelo último movimento estratégico da gigante do varejo Magazine Luiza na pequena e pacata cidade de Limeira no interior paulista. Mas porque isso causou um barulho tão grande se quase ninguém tinha ouvido falar na KaBuM!?

O Magalu tem uma estratégia agressiva de transformação digital através de fusões e aquisições nos últimos 10 anos, capitaneados pelo seu CEO Frederico Trajano, filho da “Dona Luiza” Helena Trajano, um dos maiores ícones do varejo brasileiro. Mas essa estratégia vem acelerando recentemente com um objetivo claro de garantir a liderança do e-commerce brasileiro. Nesse sentido, o Grupo fez impressionantes 21 fusões e aquisições nos últimos 18 meses, incluindo a Netshoes!

A aquisição do KaBuM!, entretanto, foi a maior delas. O valor total da aquisição do maior e-commerce de tecnologia do Brasil especializado no segmento de games deve ficar em torno de 3,5 bilhões de reais, segundo estimativas de mercado; e será pago em três etapas. A primeira parcela à vista no valor de 1 bilhão de reais. A segunda será feita com a transferência de 75 milhões de ações ordinárias do Magalu ao longo de um ano e meio. E a terceira, de até 50 milhões de ações, dependerá do cumprimento de metas do KaBuM!

Mas por que pagar tanto por uma empresa desconhecida do grande público? Se o objetivo do Magalu era entrar no bilionário segmento de games, poderia ter feito um movimento muito menos agressivo, como por exemplo, oferecendo condições comerciais favoráveis para trazer a loja do KaBuM! para dentro do Magalu, assim como a Amazon fez com a Pernambucanas.

O Magalu também poderia acelerar a entrada no mercado de games estendendo o tapete vermelho para os maiores fabricantes desse segmento, pois já tem excelentes condições comerciais com os principais provedores de tecnologia do País. Certamente, eles teriam acesso a condições comerciais e produtos que poderiam desbancar o KaBuM! da liderança desse mercado.

Apesar de pouco conhecida, o KaBuM! é uma joia rara no varejo! Além de ser uma empresa muito lucrativa, que teve receita bruta de 3,4 bilhões de reais e um lucro de 312 milhões de reais nos últimos 12 meses, o KaBuM! conta com 2 milhões de clientes ativos e oferece mais de 20.000 itens de tecnologia para profissionais e para o universo gamer. Não é à toa que a americanas s.a., um dos principais concorrentes do Magalu na disputa pela liderança do e-commerce brasileiro também estava de olho neles.

Por conta desses resultados impressionantes, o KaBuM! já estava considerando a abertura de capital (IPO) nos próximos dois anos. A prova de que o movimento do Magalu foi acertado é que, de acordo com especialistas, essa compra saiu de “graça”! Afinal, só no dia do anúncio (15/07), o Magazine Luiza ganhou R$ 16,5 bilhões em valor de mercado por conta da valorização das ações.

E qual será o próximo estrondo vindo da gigantesca floresta em Franca? Uma pista é a corrida de diversas empresas para transformar suas plataformas em “SuperApps”, que são aplicativos que não se limitam a apenas uma função, mas oferecem múltiplos serviços em uma única plataforma. O Magazine Luiza é um dos pioneiros nessa área. O SuperApp Magalu, por exemplo, já permite realizar transações financeiras, tais como pagamentos de contas e transferências entre contas MagaluPay e Banco do Brasil sem sair do app.

Se considerar que o Magalu também é proprietário dos sites Jovem Nerd e CanalTech, esse ecossistema próprio ficará ainda mais interessante com as ofertas do KaBuM! Portanto, está se criando um ambiente com conteúdos ricos para os amantes de tecnologia. O público-alvo de 95 milhões de gamers no Brasil poderá se informar sobre seus jogos favoritos e já comprar dentro do SuperApp desde “skins” até consoles. Por isso, não se espantem se o próximo anúncio for da compra de uma agência de influência digital para trazer ainda mais audiência para dentro do SuperApp.

Outro movimento potencial de mercado pode ser em direção ao segmento alimentício. O Carrefour Brasil é uma grande e agressiva aposta caso Abílio Diniz precise sair do comando para retornar ao Grupo Pão de Açúcar. Acompanhe os próximos estrondos do varejo aqui no nosso blog!

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Fontes: G1, CanalTech, Adrenaline, Valor Investe e Exame

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